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Uma parte da história de Rancharia foi registrada pelo fotógrafo José Alves Teixeira, à frente do Foto Teixeira, durante vários anos. Durante o
período em que clicava os mais diversos motivos, registrou comícios, políticos, pontos da cidade, mas guardou muito pouco de tudo o que
fotografou. Se não se perderam no tempo, seus registros estão com os personagens comuns do dia a dia que ele via pelo visor de sua
máquina, um exemplo vivo do lendário lambe-lambe, arte que praticou durante muito tempo.
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A maior parte de seus registros é da história anônima de cidadãos comuns em aniversários, 3x4, casamentos e registros de cerimônias em
eventos evangélicos; outra, de pontos da cidade, desfiles e de políticos. Ele mostra fotos de Mané Facão (Manoel Severo Lins), Elpídio
Marchiani, Carlito (Carlos Baptista) e Eduardo Franco; fotografou outras personalidades políticas, mas o único que consegue lembrar o nome
é do ex-governador Franco Montoro. "Rapaz, eu tirei de muitas pessoas, mas o pessoal levava. A gente não sabe o futuro e eu não me
interessava em guardar".
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Filho dos agricultores Pedro Alves Teixeira e Rosa Andrelina Teixeira, nasceu em 1º de janeiro de 1918 em Iguatu, Ceará; dos 7 irmãos,
apenas dois estão vivos. Teve três mulheres, tem sete filhos e perdeu a conta de quantos netos. Sua história em Rancharia começou em
1945, quando veio trabalhar no Matarazzo, "mas voltei em 1946 porque deu saudade da família".
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'Seu' Teixeira, como é conhecido, voltou em 1950, mas desembarcou em Marília, onde iria conhecer sua terceira mulher, a pernambucana de
Garanhuns Maria Alice Teixeira, orgulhosa do ilustre conterrâneo que hoje ocupa a presidência do país, por quem demonstra orgulho e
admiração.
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A partir deste seu retorno ao sul, o cearense José Teixeira teve uma vida bastante agitada. Ficou em Marília até 1973, mas entre esse período
voltou a Rancharia em 1964 onde trabalhou como pedreiro na reforma do Cine Santa Maria, e rodou pelo mundo afora, fotografando o que via
pela frente. Passou por Echaporã, Lutécia, Ponta Porã, por cidades do Paraná, Piauí, Pernambuco, e tem registros de sua passagem pelo
Paraguai. Mas somente em 1970 estabeleceu-se como fotógrafo. "Eu já fazia fotos em jardins, aquelas fotos 'na hora' e comecei a trabalhar
como fotógrafo porque achei interessante, gostei e comprei o foto".
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"Eu não tinha parada, deixava o serviço de lado e gostava mesmo é de andar, vender como ambulante. Trabalhava em todo lugar. Eu era
meio louco". Houve períodos em que Teixeira comprava roupas em São Paulo e vendia pelas cidades, como um autêntico caixeiro viajante.
Foi graças a sua verve aventureira que conheceu Mane Facão, de quem passou a ser grande admirador.
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Veio em definitivo para Rancharia em 1973 e estabilizou-se como fotógrafo; desde então mora na mesma casa, que comprou em 1968. A
história de seu primeiro contato com Mané Facão é curiosa. Conta que estava com duas malas cheias de roupas para vender em Gardênia, e
esperava por uma condução perto do 'Troncão'. "Ele passou por mim, parou e me perguntou:
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'Onde cê vai, rapaz?'.
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'Vou pra Gardênia', respondi.
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'Então entra aí'. Pus as malas no carro, entrei, fomos conversando, e ele perguntou:
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'Você já ouviu falar de quem é o prefeito, quem é o Mane Facão?'.
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'Eu já escutei falar, diz que ele é meio metido, mas não conheço muito não', disse a ele.
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'Isso é conversa, rapaz. Não é assim não'. E você sabe de onde ele é?'.
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'Dizem que ele é pernambucano. Pernambucano e cavalo de abano a gente tira um por engano', brinquei. E continuamos a conversar e ele
falou:
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'Vou lá pra Gardênia e você vai almoçar comigo'.
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E eu nem sabia que ele era o Mané Facão."
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A partir de então estabeleceu-se uma estreita relação. Teixeira passou a fotografar várias ações do então prefeito, mas guardou
pouquíssimas fotos. "Ele comprava e até pagava duas vezes. Eu dizia que o irmão dele já tinha pago e ele falava: 'agora pago eu'"
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Teixeira conta que houve uma festa em Marília "com uma porção de deputados, e o Mané estava lá. Me viu, acenou me chamando e pediu
para eu tirar uma foto. Depois me abraçou e disse: 'Esse aqui é meu fotógrafo de Rancharia'. Quer dizer, ele me exaltou, né, no meio de uns
quatro ou cinco fotógrafos profissionais e de toda aquela gente".
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Em um período onde eram poucos os recursos fotográficos, Teixeira se divertia fazendo montagens com fotos do prefeito, sempre
enaltecendo-o. "Ele via as montagens e brincava: 'você é astucioso, é muito perigoso, rapaz'". Com uma das fotos, onde Mané Facão
supervisionava uma obra, Teixeira montou um pequeno painel com um desenho feito por ele. O desenho, aliás, também é outra paixão do
velho fotógrafo, que chegou a ter aulas no atelier da artista plástica Edith Lamers. Mostra os desenhos coloridos, destacando os de pontos
tradicionais da cidade e a fachada do palácio do governo do Estado do Acre, cujo atual governador morou e estudou em Rancharia. Ele
parece lamentar não ter ido ao velório de Mané Facão. 'Ele vinha aqui em casa. Próximo da morte dele ele veio aqui me visitar e eu não fui
visitar ele. As pessoas dizem que gente rico não faz conta, mas às vezes a gente se engana e não é como a gente pensa. Com gente pobre
também."
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Do alto de seus 88 anos, 'seu' Teixeira continua fotografando a história do seu dia a dia.
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