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No Dia da Consciência Negra, dois homenageados pela administração municipal têm registrados seus breves histórico. Moraese Bonifácio, dois tradicionais
expoentes e pioneiros em Rancharia, são significativos representantes da raça na cidade. Geraldo Bonifácio, 63 anos, o "Nego Gê", e Elizeu Vieira de
Moraes, 75 anos, o "Elizeu Preto", falaram sobre suas vidas no município, onde moram há várias décadas e afirmam nunca terem sofrido ações de
preconceito ou racismo. Tanto Geraldo como Elizeu tiveram atividades que contribuíram para suas integrações inter-racial.
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Reservado e de poucas palavras, o ferroviário aposentado Geraldo sempre teve na atividade artística um fator de integração. Boêmio convicto até há alguns
anos atrás, violonista de invejável virtuose, tocava com freqüência com grupo de amigos durante a noite, e era constantemente convidado a se apresentar
em eventos pelas suas qualidades ao violão e pelo seu repertório apurado, com pérolas do samba e da MPB. A vida boêmia faz parte do passado, mas ainda
hoje Geraldo se apresenta em atividades festivas, na maioria das vezes acompanhado pelos filhos e netos que também herdaram sua verve artística,
reunidos nos conceituados grupos Saudade Não Tem Idade ou Sorriso Negro. "Gê", como é carinhosamente chamado por familiares e amigos, é natural de
São Manoel; casado com Maria de Lourdes Bonifácio, tem 7 filhos e 11 netos. Um de seus filhos é o jogador Boni, que chegou a ser campeão mundial júnior
pela Seleção Brasileira, e jogou pelo São Paulo e Goiás entre outros clubes.
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Já o falante Elizeu, 75 anos, lidou com o preconceito de uma forma singular. "Fui popular para não sentir preconceito", conta ele. Essa popularidade se
ampara no jeito descontraído e brincalhão, quase sempre chamando em voz alta os brancos de "negão", ou "neguinho". Esse perfil fez dele uma figura
folclórica na cidade. "Antes negro não trabalhava na Pernambucanas", conta Elizeu. Embora situações como essa diminuíram muito, ele acha que "hoje
piorou", e exemplifica: "Em Rancharia você vê no comércio, 78% dos meninos que trabalham, principalmente em supermercados, são gente clara. E os
negros, não precisam do serviço?".
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Morando há 60 anos ao lado do campo e sede social da Associação Atlética Ranchariense, em área doada ao clube pelo seu pai há varias décads, Elizeu
conta que o pai, Leôncio Vieira da Silva, "foi o primeiro professor da cidade e ensinou muito branco a ler e escrever" como ele mesmo diz. Mas o estudo não
foi o forte de Elizeu, que exerceu várias atividades ao longo dos anos; "Fui toureiro, apresentador, trabalhei com propaganda". Mas a atividade mais
significativa foi a de "cinema volante" que, segundo ele, exerceu entre 1948 a 1975. Elizeu conta que colocava no 'pé-de-bode' 1926 um projetor, lençol
branco para servir de tela e a lata de filme; muitos emocionavam o público que não tinha outra diversão. "Os Milagres de Nossa Senhora Aparecida foi o
filme que mais emocionou as pessoas", conta ele, ressaltando os sucessos de O Corcunda de Notre Dame, Romeu e Julieta e Rock, o Lutador. "Com o
lucro do Rock eu comprei um Opala". Levando por onde passava um mercado de ilusões com seus filmes, Elizeu percorreu cidades da região como Iepê,
Nantes, Taciba, Regente Feijó, Santo Expedito, Agicê, Gardência entre outras. Dessa época conta que guarda uma relíquia histórica: um filme sobre
Rancharia datado de 1939. Elizeu é amasiado com Luzia Maria de Lima, tem quatro filhos, oito netos e um bisneto.
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