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Um brilho que não se apaga
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Gostaríamos, neste relato, de falar de estrelas. E falar de estrelas, a principio, parece tarefa fácil, mas não é! Principalmente quando
essas estrelas fazem parte de nossa constelação, ou seja1 quando estão muito próximas de nós.
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Eleger urna estrela ou urna situação, então tornou-se missão um tanto dolorosa, infelizmente - afinal, são muitas, mas é justamente
no encontro de todas essas estrelas e situações que nosso trabalho adquire consistência e se destaca. Se, por um lado, podemos
perceber quantas dessas estrelas dependeram de nós para conseguir continuar reluzentes, por outro nos deparamos com urna
realidade em que percebemos que não ternos o poder de modificar o universo, mas nos contentamos em modificar nossa
comunidade, ou ainda uma vida que seja.
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As ações que hoje desempenhamos multas vezes se perdem como poeira cósmica, causando, de certa forma, um desanimo
momentâneo. Em outras vezes, porém, elas se agigantam de tal forma que nos enchem de ânimo e forças para continuarmos esse
grande e especial trabalha de poucos trabalhadores.
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O que mais nos amedronta não é nosso fracasso pessoal na missão com essas pequenas estrelas que ainda se encontram em
formação, mas o que esse fracasso acarretará na trajetória indefinida e praticamente solitária desses brilhantes seres. A impotência
muitas vezes nos assola, pois percebemos que muitos problemas simplesmente não possuem solução imediata. O processo é
lento, no dia-a-dia, como trabalho de formiguinhas. Orientando aqui, resgatando acolá, intervindo ali e conscientizando.
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Um trabalho com rede, em parceria, articulado, escolas, ONG e demais políticas públicas centrados num só objetivo: a proteção
integral de nossas crianças e adolescentes, sua inserção na sociedade, sua auto-estima e valorização recuperadas. Quando
escutamos: "Tia, por que aplaudiram a gente em pé? Tia, minha mãe falou que eu melhorei na escola depois que eu entrei no Lar.
Também, né tia, além do que eu aprendo lá, você ainda vão na minha escola e conversam com as tias de lá!', percebemos então.que
nosso trabalho está no caminho certo e, ainda que não consigamos transmitir nossos valores, nossas intenções e informações a
100% de nossos educandos, nossa parceria é insistente Cercamo-los de lá e de cá. não podemos desistir nunca, mesmo porque, se
isso acontecer, poucas serão suas oportunidades.
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As idéias deliberadas no Conselho e nas reuniões pedagógicas são postas em prática imediatamente. Educadores em comum ao
projeto e à escola afinam seus horários e se disponibilizam para quaisquer outras necessidades. A sintonia quase que perfeita entre
o projeto e a escola talvez seja um ponto diferenciador de nossa parceria. Algumas situações conseguimos resolver com a penas um
telefonema, porém, em outras, damos as mãos e vamos pessoalmente buscar a solução para. tal problemática, seja de ordem
familiar, de saúde (física, mental e moral), de aprendizado, seja até mesmo de vida
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Conseguimos, com isso, mostrar às nossas crianças e adolescentes que existem pessoas que realmente se importam com eles, e
que o trabalho desenvolvido por nos deve ser de excelência, porque eles merecem o melhor. Nossos espaços não são meros
depósitos onde se passa o tempo, ou simplesmente para não se estar na rua. E multo mais que isso! Desenvolvemos, além das
atividades pedagógicas, esportivas e culturais, lições de vida, de cidadania, de valores morais, respeito, sonhos, futuro... não
queremos seres apáticos, robóticos, mas sim cidadãos críticos e conscientes de seu papel. Que possam reivindicar, que possam
transformar; que consigam sonhar com aquele algo mais do que possuem hoje.
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Costumamos brincar que somos um "orelhao' desse tamanho! Pois ternos a capacidade imprescindível de escutar e a difícil tarefa de
mediar conflitos e dialogar. Batemos insistentemente nessa tecla com nossos educadores e professores, porque é a partir do que se
escuta que se consegue transformar.
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A qualidade de nosso trabalho, de nossos esforços em comum e a força de nossa parceria refletem diretamente em nossos
educandos e na comunidade, resultados de transformação social. Porém, não podemos negar que eles também possuem seus
próprios méritos, principalmente em conseguir, apesar de suas bagagens um tanto pesadas, ser heróis de suas próprias histórias,
ou seja, conseguir ser brilhantes como estrelas que, quanto mais o céu se encontra escuro, mais intenso é seu brilho.
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Com certeza temos muito a ensinar, mas muito mais a aprender. Lançamos a pergunta:
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Será que se não tivéssemos nossas vidas tão 'certinhas' conseguiríamos agüentar o que eles agüentam? Será que seríamos
brilhantes como eles conseguem ser?
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Conseguimos o sucesso nesta parceria quando nos colocamos no lugar do outro e, do nosso ponto de vista, isso significa
APRENDIZADO!
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(Texto de Karina M. Haddad Speridião (Lar Francisco Franco) e Ana Lúcia de Souza Rebello (Escola Municipal Luiz Dorini))
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