Amir Haddad nasceu no dia 2 de julho de 1937 na cidade de Guaxupé, Minas Gerais, e veio com os pais
Jorge Abraão Haddad e Nascima Haddad para Rancharia em 1943; junto estavam os 9 irmãos, 7
homens e 2 mulheres. Na cidade cursou o primário na escola Grupo Escolar Dr. Júlio Lucant e o ginasial
no Ginásio Estadual, atual EEPG Don Antônio José dos Santos, concluindo os estudos básicos no
colégio Roosevelt em São Paulo. Formou-se em bacharel de direito pela tradicional Faculdade de São
Francisco, mas felizmente (pelo bem do teatro) nunca exerceu a profissão. Embora seja um cidadão
nacional, é radicado na cidade do Rio de Janeiro há 37 anos. "Fui em 1964 passar o fim de semana e
nunca mais saí de lá", disse ele, argumentando que a cidade possui "uma identidade cultural muito maior
do que de São Paulo". Há mais de 10 anos sem vir a Rancharia, esteve na homenagem prestada ao
irmão Manir na Usina Cultural, onde foi recepcionado pelo grupo de teatro amador Animus. Mostrou-se
surpreso com a existência de grupos teatrais em uma cidade marcada pela "esterilidade" cultural.
Um dos nomes mais importantes da teatrologia no país, detentor de prêmios Moliére, entre os anos 60 e
70 Amir abandonou uma carreira promissora e dedicou-se ao "teatro de rua", do qual é precursor,
trabalhando diretamente com as camadas da população que não tinham acesso à cultura. Embora
amigos achassem que teria enlouquecido, ele acha que a opção o "salvou". Difícil não pensar em perda
do juízo quando um dos melhores diretores do país deixa o teatro tradicional e vai literalmente para a
rua, tendo em seu currículo a direção de grandes nomes da dramaturgia brasileira tais como Fernanda
Montenegro, Maria Padilha, Pedro Cardoso, Renata Sorah...

Entre outras atividades, o premiado Amir está à frente do Instituto Tá Na Rua Para Arte - Educação e Cidadania, e é diretor artístico do maior teatro
carioca, o Carlos Gomes. Professor da Escola Internacional de Teatro com sede em Havana, Cuba, e pioneiro no "teatro de rua", Amir expõe uma
proposta cultural oposta aos padrões capitalistas burgueses, de encontro à valorização do ser humano e de seu meio. Amir recebeu o jornal Atual na
casa do irmão Manir, para entrevista precedida de um café matutino onde não faltaram as delícias da mesa árabe. Profetizando a história cultural do
país, diremos que ela lhe reserva o título de...
Amir, o revolucionário