Atual: Como foi o início de sua carreira?
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Dino Franco: Em São Paulo, no ano de 1956, formei a dupla Tibagi e Pirassununga e nos apresentávamos na Rádio Nacional que era a coqueluche da
época e hoje é a Globo. Odilon Araújo, locutor oficial da rádio, foi quem nos apresentou e me deu esse pseudônimo. Gravamos um disco 78 rotações
pela RGE com o xote Peão de Minas e a rancheira Falsos Carinhos. A dupla se desfez em 1959.
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Atual: Qual foi o próximo passo?
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Dino: Formei a dupla Juquinha e Junqueira que durou cerca de três anos. Fomos os primeiros a gravar pela RCA Canden, ainda em 78 rotações,
musicas como Três Mulheres, Maldita Aliança e Mineiro Não Perde o Trem, que foi um grande sucesso. Depois tivemos uma fase de shows em
ambientes noturnos com Belmonte, Amaraí e Zé Maringá.
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Atual: Por que shows no lugar do rádio?
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Dino: Cascatinha e Inhana estavam entrando na vida noturna em São Paulo e tinham os sucessos Índia, Primeiro Amor; tocávamos músicas paraguaias,
gaúchas e algumas sertanejas. Era evidente naquela época a força da música paraguaia, mexicana e estavam em ascensão o Trio Cristal, Los
Panchos, Miguel Aceves Mejia. Uma minoria do povo da cidade não aceitava a música sertaneja.
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Atual: Quando começou a dupla Dino Franco e Mouraí?
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Dino: Nos idos de 79, quando Caetano Garrido nos apresentou, e continuamos juntos até hoje.
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Atual: E quantos discos gravados?
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Dino: Temos 17 lançamentos; com as compilações, temos mais de 20 discos. Com as gravações que fiz sozinho cantando músicas gaúchas e
mexicanas, e com todos os outros com que gravei...A dupla Biá e Dino Franco gravou 6 lançamentos e mais compilações, tenho discos gravados com
Juquinha e Junqueira, Pirassununga e Piratininga, com Belmonte...Fica difícil... tenho que fazer um estudo porque gravei com todos.
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Atual: E você fez quantas composições?
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Dino: Ah rapaz... tenho muitas composições...Quando eu me aposentei em 1991 apresentei ao INSS mais de 1.000 selos com títulos, número de discos
e nomes de intérpretes de obras de minha autoria para comprovar meu currículo, e de lá para cá eu nunca parei de compor.
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Atual: Quais fizeram mais sucesso?
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Dino: São várias, entre elas Caboclo na Cidade, Cheiro de Relva, Paineira Velha, Meu Passado, Natureza. Tem Travessia do Araguaia que foi tema da
novela O Rei do Gado. E uma que a rádio Esperança nunca tocou que é Pescador do Ivaí, e foi tema de um documentário brasileiro apresentado na BBC
de Londres (Inglaterra).
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Atual: Quais intérpretes gravaram suas composições?
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Dino: Tonico e Tinoco, Zico e Zeca, Liu e Léu, Cascatinha e Inhana, Tião Carreiro e Pardinho, Abel e Caim, Xitãozinho e Xororó, Tião Carreiro e Pardinho,
Daniel, Sérgio Reis e Almir Sater...
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Atual: Quantos discos você já vendeu?
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Dino: É difícil precisar porque o disco nunca obedeceu uma ordem numérica. Teve até um deputado que quis aprovar essa lei e não deixaram, porque
se aprovada as gravadoras teriam que nos prestar contas devidamente corretas. Hoje se elas vendem 5.000 e nos oferecem 500 não podemos provar
o contrário. Vendi muitos discos...Só com o Sérgio Reis e Almir Sater foram mais de um milhão de discos. Caboclo na Cidade, com Xitãozinho e Xororó,
mais de um milhão. Se eu recebi por mais de um milhão de discos, evidentemente vendeu muito mais.
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Atual: E com as duplas que atuou?
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Dino: Quando formei dupla com Amaraí, firmamos contrato com a Globo Gravações por três anos, um disco por ano. Pela Chantecler, no mesmo
período, dois discos por ano e a primeira gravação, Manto Estrelado, vendeu mais de 200 mil cópias só no lançamento, e assim vai.. É difícil precisar,
mas vendi entre 4 e 5 milhões de discos entre a dupla Dino Franco e Mouraí e outros intérpretes.
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Atual: Como você ingressou na Academia Municipalista Brasileira de Letras?
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Dino: Por causa do meu currículo. Tem advogado, juiz, promotor, jornalista, compositor, cada um desempenhando uma determinada tarefa. Eu
represento o Raul Torres (da dupla Raul Torres e Florêncio) que foi o introdutor da música sertaneja na radiofonia brasileira. Ocupo a cadeira número
14, que era ocupada por João Pacífico e representava o Catulo da Paixão Cearense.
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Atual: Como você vê a música sertaneja raiz na atualidade?
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Dino: De bom grado, porque está nascendo da raiz e a finalidade é voltar às origens, porque o sertanejo sempre foi atacado de várias maneiras, várias
influências musicais atacaram o sertanejo, como a canção rancheira, o bolero, o tango, o rock, mas por ser raiz, vem se perdurando.
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Atual: Você acha que essa música perdeu espaço?
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Dino: É muito relativo esse negócio de perder espaço. Porque no que concerne a perder espaço você tem que considerar a mídia, e para pagar a mídia
você tem que ter muito dinheiro. Se você paga o povo que tem o veículo de mídia na mão, nesse caso a televisão, o rádio, grandes jornais e revistas - a
imprensa de um modo geral -, você difunde qualquer matéria; se você não tem dinheiro para pagar a sua matéria fica esquecida e sua difusão deixa de
ser feita.
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Atual: Então, sem o jabá não tem sucesso?
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Dino: O jabá é preponderantemente exigido hoje, entendeu?
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Atual: A modernização mudou muito a música sertaneja?
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Dino: Bastante. No que diz respeito ao arranjo, à confecção do disco, melhorou muito porque a tecnologia avançou e são muitos os recursos técnicos.
Antigamente se gravava mono-oral direto, depois veio o estereofônico com 2 canais, depois 4, 16, 24, 36 e tem muito mais canal; tem até gravação
digital. Agora, o valor artístico em si, no que diz respeito às obras líteromusical, eu não vejo nenhuma melhoria.
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Atual: Por que?
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Dino: Antigamente, no tempo do 78 rotações, você enumera os sucessos do repertório de...Raul Torres: Mula Preta, Chico Mulato, Cabocla Tereza,
Mourão da Porteira, Do Lado que o Vento Vai, Cavalo Zaino, e assim por diante. Tonico e Tinoco, quantos sucessos? Camisa Preta, Mão Criminosa,
Chico Mineiro... E quantos sucessos fizeram Cascatinha e Inhana? Hoje, as duplas que estão em ascensão, você enumera quantos sucessos? Um ou
dois, mesmo com a força da mídia. Então eu não vejo integração total da música sertaneja nem no disco nem na radiofonia. Não vejo vantagem nisso.
Vejo naqueles artistas que não pagaram a mídia, nunca tiveram a mídia a seu serviço para poder ter ascensão e tiveram sucesso ininterrupto um atrás
do outro, como Tonico e Tinoco, Raul Torres, Zé Carreira e Carreirinha, que são os nossos ancestrais.
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Atual: Há uma fertilidade de duplas; os temas condizem com a música sertaneja?
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Dino: O que se nota nas duplas do momento, que eu chamo de duplas bregas, o tema é só amor, amor, amor... Você ouve uma canção de um CD e não
precisa ouvir mais porque são todas iguais. Antigamente você não repetia tema. No tempo do vinil você ouvia 12 músicas e cada uma tinha um tema
diferente; era valsa, toada, rancheira, cateretê...Hoje é um balanço só, um ritmo só.
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Atual: O que você ouve?
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Dino: Ouço e gosto de todas, mas que tenham conteúdo, mensagem, que conte uma história. Porque a música sertaneja que não conta uma história
deixa de ser música sertaneja
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Atual: Qual sua previsão para a música sertaneja?
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Dino: Hoje as músicas são muito mais para dançar e a música sertaneja foi feita para se ouvir. Se bem que algumas duplas estão gravando corrido,
arrasta pé, xote, forró, vanerão, para alcançar um publico dançante em outras regiões e porque tem aumentado muito os salões de danças.
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Atual: Qual o seu último trabalho?
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Dino: Eu participei de um disco este ano com o Daniel, que é um resgate da música sertaneja e se chama Meu Reino Encantado. É um disco tipicamente
sertanejo e a estimativa é ultrapassar um milhão de cópias vendidas. No lançamento vendeu mais de 150 mil. Tenho as músicas Cheiro de Relva, com as
Irmãs Galvão e Minha Mensagem, a única legítima moda de viola inserida no disco, onde cantamos com Daniel.
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