Marcos A. Barbosa
Futebol e a herança de FHC
1 - O mega evento futebolístico sediado na cidade mostra, sem sobras de dúvidas, que este é mesmo o país
do futebol. Se não fosse, como realizar um campeonato em tempo tão reduzido envolvendo quase duas mil
pessoas, considerando-se a precariedade da infra estrutura da cidade em vários setores, e no apito final ter
um saldo positivo? Consultas com representantes de delegações mostraram a aprovação ao torneio pelos
seus participantes, num sinal de que as qualidades da realização suplantaram problemas existentes. É um
evento que trouxe experiências e subsídios como base de análise para outros investimentos nesta e noutras
áreas que podem ser realizados na cidade. A falta de sensibilidade da mídia regional (principalmente a
televisiva) em promover a cobertura de evento desse porte é pouco compreensível. Internamente, sua
divulgação também não foi capaz de criar um clima que envolvesse a comunidade como um todo em torno
da Copa; foi precária. A cidade ainda enfrenta problemas, de difícil solução, com a insuficiência de vagas no
setor hoteleiro. Por outro lado, a afluência de tão grande número de pessoas movimentou o comércio, e
durante uma semana a cidade viveu um agitado e diferente ritmo, contrapondo-se ao tradicional e diário
marasmo. No balanço final seria possível afirmar que a Copa foi marcada pelo êxito. Entre as lições que
possa ter deixado está a evidência de que, se a cidade tem como um dos seus objetivos investimentos na
área turística como uma das vias para o seu desenvolvimento, é preciso pensar em elementos que possam
dar sustentação para tanto. No campo das realizações populares, já passou do tempo de se projetar a
criação de um centro de convenções que possa abrigar variadas realizações esportivas, de lazer ou
culturais, com capacidade de comportar um grande número de participantes sem expô-los aos
desconfortantes improvisos habituais. É preciso investimentos públicos e privados para a cidade não sair da
rota que se pretende.
2 - Quando ninguém mais se lembrava, eis que chegam às residências a cobrança do "seguro do apagão".
Absurdo, extorsão, sacanagem são alguns dos adjetivos que podem ser agregados ao imposto criado pelo
governo Fernando Henrique Cardoso com vigência de 2002 a 2005, e que após fracassado recurso judicial
contra o pagamento nos é cobrado agora. É uma lei sem cabimento: o governo da época deixa de investir o
necessário no setor energético, São Pedro não manda as chuvas previstas, os reservatórios de água
geradores de energia baixam de nível, o país passou pelo apagão da época e quem paga a conta são os
consumidores? Uma herança que ninguém merece. Sem comentários.
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