Silvio Torres no gabinete do
prefeito Alberto César com
lideranças do PSDB; concedendo
entrevista ao jornalista Marcos
Barbosa na Rádio Esperança FM;
e despedindo-se de Dino Nicolosi
na sede da APAE, ao lado do
prefeito e da diretora da
associação, Maria Idália Correia
Marcos Barbosa: O deputado leva boas notícias às instituições que visitará na cidade?
Silvio Torres: A notícia que eu posso dar que eu considero boa é que o orçamento federal foi sancionado pelo presidente Lula há cerca de 4 dias e eu
coloquei emendas nesse orçamento que garantem verbas para entidades assistenciais da cidade. São R$ 120 mil divididos entre as entidades. Eu só espero
que o governo cumpra o que o orçamento determina e pague essas emendas para que as entidades possam ser beneficiadas. São entidades que merecem
apoio. Aliás, Rancharia surpreende pelo grande número de entidades, pela adesão da comunidade e pelo trabalho eficiente que realiza.
MB: Tivemos recentemente uma mega-rebelião promovida pelo crime organizado. A legislação penal parece branda com os criminosos.
Não estaria faltando empenho e interesse do Congresso Nacional em estabelecer uma legislação mais dura que deixasse o criminoso na
cadeia, que é o que a população deseja?
ST: Esse é um terreno muito polêmico. Eu acho que existe legislação suficiente para manter bandidos na cadeia, para prende-los, para processa-los, para
condena-los. Evidentemente ainda há pontos que devem ser mais precisos para evitar que as brechas na lei dêem a eles oportunidades de se safarem de
suas penas. O Senado e a Câmara estão aprovando no momento modificações no Código Penal e na legislação de uma forma geral para fazer aquilo que é
desejo da população e também dos parlamentares, que é aprovar esses pontos que possam endurecer um pouco mais contra o crime. Mas acho que não
basta isso, é apenas uma parte que tem que ser feito para evitar a repetição desses fatos gravíssimos que aterrorizaram e chocaram a sociedade brasileira
e especialmente a comunidade de São Paulo, é que haja uma unidade de objetivos e de ação entre as diversas instituições que cuidam do crime. O Judiciário,
o Ministério Público, o Legislativo o Executivo... Em São Paulo o governo do Estado priorizou e continua priorizando o combate ao crime. As estatísticas
mostram que o crime decresceu em São Paulo por força da ação da Polícia e do Estado, mas isso não é suficiente; é uma batalha a cada dia. Os criminosos
têm a chance de arregimentar junto a população, jovens que estão em dificuldades, que provém de famílias pobres, que tem dificuldade de encontrar
emprego...
MB: O investimento na área social reduziria essa adesão da juventude ao crime?
ST: Não há dúvida. Mas o que ajuda mais é o país crescer, se desenvolver. O país tem crescido a taxas pífias. No ultimo ano só cresceu mais do que o Haiti
- 2,3% do seu Produto (Interno) Bruto. Apenas para atender aos jovens que entram no mercado de trabalho, a cada ano o país precisaria crescer 2,5%;
então estamos crescendo menos do que é necessário a cada ano e não estamos conseguindo corrigir o passivo de desempregados que tem no país. Sem
emprego e sem renda é difícil um trabalho social ser efetivo. Há investimentos no Brasil na educação, na área social, mas mais do que isso precisamos de
desenvolvimento; esse é o "x" da questão, onde o país tem diante de si esse grande desafio. Há muitas seqüelas para um país que não cresce e atinge
principalmente a juventude. O aumento de criminalidade crescente entre jovens de 14 até 29 anos o que é assustador.
MB: A corrupção é um fato antigo e vem sendo apurado com mais insistência recentemente, mas o Congresso não vem dando a
resposta que a população espera, que é a punição dos deputados envolvidos. Isso não compromete a imagem do Congresso?
ST: A imagem já está comprometida. Independentemente da absolvição que acabou acontecendo, mas em função dos escândalos que começaram a ser
revelados há cerca de um ano e até hoje não pararam. A gente acaba até se surpreendendo com novas denuncias em fase de comprovação ou
comprovadas. Eu fui membro da CPI dos Correios até o seu final e pude conhecer de perto o que se passou e o que vem se passando nessa relação de
governo com parlamentares, empresas, estatais... tudo isso junto que se constituiu no chamado 'escândalo do mensalão'. Dezenove deputados foram
colocados para a Comissão de Ética para serem processados e, posteriormente, enviados ao plenário. Agora, o que sempre me deixou dúvidas em relação
à cassação, foi que grande parte dos deputados envolvidos pertenciam aos partidos que são maioria na Câmara. A oposição composta pelo PSDB, PFL,
PPS, PDT não passa de 180 deputados. Para condenar um deputado, para cassá-lo é preciso de 257 votos no mínimo. Existe um acordo claro entre os
partidos envolvidos. Houve deputados de vários partidos levados a julgamento, mas os líderes desses partidos envolvidos no mensalão nunca disseram
para quem eles destinaram o dinheiro, o que faz supor que muitos deputados foram beneficiados pelo mensalão tinham o rabo preso, e sendo assim, não
votariam pela condenação. Eu acho que o Congresso se desacredita, mas é importante que a população saiba separar o joio do trigo em qualquer das
denúncias.
MB: A campanha para presidente vai se polarizar entre Alckmin e Lula?
ST: Eu acho que essa polarização desde hoje está delineada. A campanha hoje está incipiente. Se você perguntar aos eleitores espontaneamente em quem
você vota pra presidente 70% dirão que não sabem esta é a realidade mas quando você mostra a lista de nomes os eleitores tendem a apontar os mais
conhecidos e o Lula desponta por ser conhecido por quase 100% dos brasileiros; Geraldo Alckmin pouco mais de 60% o conhecem essa diferença que há
entre os dois hoje é em função da falta de conhecimento e outros nomes também ainda não são conhecidos suficientemente. A disputa eleitoral apenas
começou e as pesquisas retratam mais conhecimento do que intenção de votos as a campanha só poderá ocorrer a partir de 5 de julho, e a campanha
decisiva só começa com a programa eleitoral gratuito
MB: O PMDB está dividido. O deputado acredita em um acordo com o PSDB/PMDB?
ST: Acho que o PMDB, salvo uma zebra, não vai ter candidato a Presidente da Republica. Isso já é uma estratégia definida pelo partido porque permite que
ele faça acordos nos estados de acordo com as conveniências deles, buscando eleger governadores e bancadas. O PMDB já é hoje o maior partido na
Câmara, no Senado e poderá repetir isso na próxima legislatura e com isso indicar o presidente da Câmara e Presidente do Senado e ter uma parcela
importante do poder. Não tendo candidatos poderá estar fazendo acordos com o PT, com o PSDB; com isso estará realmente dividido. Mas no estado de São
Paulo temos grandes chances de fechar acordos com o PMDB.
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