Repensar a violência
Marcos A. Barbosa
Não vamos aqui versar sobre os dias de cão vivido por São Paulo, com a onda de ações de guerrilha orquestrada pela facção
criminosa PCC, que causou pânico na população é índices de execuções similares aos iraquianos. Nem que o governo e seus
organismos de administração penitenciária e de inteligência não souberam dimensionar e administrar a gravidade das informações
que dispunham sobre as ações do crime organizado, e que falharam na prevenção ao caos instalado. Muito menos no acordo feito
entre o governo e a organização criminosa para por fim aos atos terroristas, como publicado por grandes órgãos de imprensa e corre
de boca a boca nas conversas do paulistano, até porque tudo isso já vem sendo amplamente avaliado pelos meios de comunicação.
O fato de o clima de pânico instaurado pelas ações do PCC terem chegado até Rancharia, e ironicamente a cidade ter celebrado
recente ato pela paz, penso que caberia uma pergunta que, ao mesmo tempo é uma sugestão: Não seria oportuno repensar a
"Caminhada pela Paz"? Na realidade a 'Caminhada' é promovida para o cumprimento da lei municipal da Semana da Não Violência.
No entanto, a 'Semana' se resume na caminhada, e nela acaba se esgotando. Assim continuando, o ato se diluirá em si mesmo e
passará apenas a ser mais um evento obrigatório, sem desdobramento. Não seria mais útil à conscientização popular sobre a
gravidade do momento em que vivemos, onde a violência e a criminalidade passaram a ser conceitos de situações comuns, que os
organizadores do evento realizassem a 'Semana' com palestras, exposições, eventos teatrais, em escolas, clubes, templos..., com
a participação de profissionais de diversas áreas profissionais? Essa prática envolveria a população em torno da discussão desse
tema que nos assombra todos os dias, a violência. Se quisermos realmente equacionar os fatores que possam diminuir a violência,
temos que começar a questionar as nossas ações cotidianas, criar a consciência dos direitos do cidadão e dos deveres do Estado,
e aglutinar forças para exigir dos três poderes, principalmente do Judiciário, que adotem medidas de acordo com a nossa realidade,
e reconheçam que a lei que pode ser aplicada na Suécia ou Dinamarca, não pode ser aplicada no Brasil. É preciso mudar se
desejamos viver em paz.