EDITORIAL
Descaso com a violência
Marcos A. Barbosa
O município deverá ter uma oportunidade ímpar para determinar um norte para seus interesses de crescimento e
desenvolvimento com a elaboração do Plano Diretor, caso o mesmo expresse fielmente o resultado dos dados obtidos em sua
fase inicial, de pesquisa, informações e audiências públicas. É preciso reconhecer que, historicamente, a cidade regrediu
economicamente, se comparada com seus áureos tempos de capital do algodão, quando era referência de desenvolvimento no
Estado. Este é um dado, aliás, que merece registro e discussão na pauta de temas que levará à elaboração do Plano. A
definição do perfil sócio-econômico do município é o ponto de partida para equacionar os problemas latentes e crônicos deste
que é, salvo engano, o segundo maior município paulista. Isso para que seja possível a esta e às vindouras administrações
seguirem um planejamento sério e responsável, que possa garantir um mínimo de desenvolvimento para uma cidade que há muito
apresenta sinais de estagnação.
A questão da segurança, evidentemente, é um dos pontos que deverão ser abordados no estudo para o projeto do Plano. E
tocando no assunto (é bom ressaltar, desde já, que não se trata de assumir uma posição contraria, de puro antagonismo ao
governo do Estado), parece ser difícil discordar do argumento de que o atual governo estadual - há mais de uma década no poder -
foi um fracasso na questão da segurança. Evidentemente é impossível saná-la, uma vez que depende também de ações da União
e do Judiciário, além de que sua origem está na profunda desigualdade social, gerada, em princípio, pelo impiedoso desequilíbrio
da distribuição de renda imposto pelo sistema em que vivemos. Difícil não reconhecer que o governo do estado foi extremamente
infeliz - e injusto com a população interiorana - ao espalhar pelos municípios esse enorme número de instituições prisionais, hoje
já superlotadas. Os presídios trouxeram para o morador interiorano a insegurança e o medo, justificados pela crescente e
incontestável onda de violência e criminalidade. Brindou-nos, o governo, com uma população criminosa e suas adjacências, com
as quais o matuto do interior não tem nenhuma ligação, nem obrigação de ter como vizinhos. Os fatos comprovam essa realidade.
Na região pipocam ações orquestradas pelo crime organizado; rebeliões; assaltos com perfis de maldade e violência antes
exclusivos de grandes metrópoles. Quando poder-se-ia imaginar uma notícia de seqüestro, mesmo que relâmpago e sem maiores
conseqüências além da perda do carro e do trauma que não se apaga, poderia ser notícia em modesto jornal de uma pequena
cidade? Algo precisa ser feito com urgência, e não é criando-se prerrogativas que apenas beneficiam o criminoso que o cidadão
honesto e trabalhador se verá livre da criminalidade. Prefeitos, vereadores e a população precisam exigir ações concretas dos
Legislativos e Executivo estadual e federal, e do Judiciário, para se pôr um basta à violência.
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