O ministro da Educação, Fernando Haddad, apresentou, na última semana, ao presidente da República, Luiz Inácio da Silva, um
conjunto de medidas que visa melhorar a qualidade do ensino no país, enfaticamente a educação básica. O plano, apelidado de
PAC da Educação, já conta com R$ 500 milhões e os valores não incluem as verbas do FUNDEB (Fundo de Educação Básica). O
projeto necessita de R$ 8 bilhões para ser totalmente implementado e abrange do Ensino Infantil ao Superior, mas dá prioridade
total à educação básica.
As intenções são muito boas, mas muitas dúvidas ficam no ar, como, por exemplo, o ministro não informou de onde viria a
suplementação de recursos para o MEC implementar o PAC e sabe-se que em ocasiões anteriores o Ministério teve muitas
dificuldades para conseguir aumentar seus recursos financeiros. O FUNDEB, bandeira de campanha de Lula em 2002, demorou
quatro anos para ser aprovado, pois um dos principais entraves foi a definição de quanto o governo iria contribuir e como seria o
período de transição até chegar ao valor máximo. Se para este novo projeto valerem as mesmas dificuldades; dificilmente seria
colocado em prática ainda na gestão atual. Como se sabe que, a cada troca de governo, mudam-se as orientações para a área
educacional, este projeto ficaria totalmente inviabilizado e mais uma vez a Educação estaria à mercê das promessas.
Por outro lado, excetuando-se a questão dos recursos, questiona-se o fato de que poucas instituições ou pessoas ligadas à
educação foram conclamadas a colaborar e apresentar sugestões para o aprimoramento do plano. Ficamos, mais uma vez, nas
boas intenções do documento a ser apresentado.
O projeto estipula ainda metas a serem atingidas pelos estados e municípios para melhorar a qualidade do ensino, prevendo-se
um sistema de incentivo para alcançar os objetivos. Mas o próprio Ministério terá que se adaptar às mudanças operacionais para
cumprir as novas tarefas. Por outro lado, fica por conta de governadores e prefeitos a responsabilidade pela educação de base,
quando deveria ficar por conta da União as rédeas da orientação educacional do país. Com certeza a destinação de mais verbas
para o setor é muito importante, mas é necessário que o governo federal cobre resultados dos investimentos realizados. É
imprescindível estabelecer metas; não resolve apenas repassar recursos sem cobrar resultados.
Por último, entendo que o PAC da Educação não conseguiu ainda sensibilizar a opinião pública, nem os meios de
comunicação, nem mesmo as pessoas ligadas diretamente à educação. Todos conhecem as boas intenções do ministro Haddad,
mas isso só não basta; é preciso envolver a sociedade nesse debate e na luta pela melhoria do ensino do país. Mas aí é necessário
contar com a participação de todos para a formulação da política educacional brasileira. Nesse sentido, como representante da
escola particular brasileira, entendo que este segmento tem muita colaboração a dar. Não existe educação pública ou privada, ela é
uma só, a educação brasileira, ferramenta essencial para o desenvolvimento e o futuro do país. Estamos prontos a dar a nossa
colaboração, é só nos convocar para isso.

Benjamin Ribeiro da Silva
é diretor-tesoureiro do SIEEESP - Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino no Estado de São Paulo e vice-presidente da FENEP - Federação Nacional das
Escolas Particulares. e-mail Benjamin@einstein24h.com.br <mailto:Benjamin@einstein24h.com.br>
Anuncie - Assine e receba em casa o jornal Atual