Retomar o norte
Marcos A. Barbosa
1 - Confesso que errei. Escrevi neste espaço na edição anterior que o país continuaria dividido com a diferença de votos entre os dois
candidatos a presidente, que eu avaliava seria pequena. Mas com a incontestável vitória do presidente Lula, há que se avaliar que o país
entendeu que o melhor seria continuar com o atual governo, do que voltar às incertezas do tucanato. Como a eleição já é passado, é
possível colocar aqui que a campanha do ex-governador paulista foi carente de propostas; ateve-se às críticas às acusações que rodeiam
o atual governo - e que devem ser apuradas - e somente aí se amparou. Propostas consistentes, questões programáticas como a fachada
tucana demonstra possuir, não foram apresentadas, se é que existiam, durante a campanha. Por outro lado, a expressiva votação do
presidente reeleito não pode ser entendida como um voto de esquecimento das ilicitudes que um grupo à sua volta tenha cometido, com
ou sem o seu conhecimento. A cúpula histórica do partido parece ter avaliado que tudo era possível, trocado os pés pelas mãos,
continuado com as práticas ilícitas de governos anteriores, comprometendo a militância e o discurso construídos por mais de 25 anos de
oposição. A votação obtida por Lula deve conduzi-los a continuar no aprimoramento das ações positivas de seus primeiros quatro anos, na
correção das políticas incertas e improdutivas, e também levá-lo a uma reavaliação dos pilares políticos de sustentação de seu mandato,
na reavaliação do relacionamento com oposição e situação, para que possa concluir seu segundo mandato com o cumprimento - mesmo
que parcial - das exposições de seu discurso logo após a confirmação de sua vitória. Até porque, garantir a governabilidade, será seu
maior desafio.
2 - "A justiça tarda, mas não falha".
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